Atletas Alquimistas

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O quadro de medalhas dos Jogos Pan Americanos de Guadalajara traz hoje o Brasil como segundo colocado geral na competição, numa participação, até aqui, bastante destacada. Das medalhas conquistadas pelo país, seis certamente possuem uma conotação especial, pois representam, muito além da vitória dos atletas, a superação de enormes dificuldades que não deveriam se apresentar para a prática de um esporte.

Trata-se das medalhas do Tiro Esportivo, modalidade que, em nosso país, sofre com o estigma que o desconhecimento lança sobre as armas de fogo e tudo que a elas diga respeito. Parece surreal, mas vivemos em um país no qual, desconsiderando toda a realidade esportiva, um ministro de estado vai a público dizer que armas só servem para matar; um país em que alguns “jornalistas” confortam-se em afirmar que o Tiro é uma modalidade “dispensável”; um país que claramente desconhece sua história esportiva e, especialmente, o fato de que veio do Tiro seu primeiro ouro olímpico.

O estigma vai além, raiando o absurdo de se rotular o Tiro como um esporte violento, mesmo sendo esta uma modalidade sem registros de acidentes em competições. É a cultura de abominação às armas sendo transposta para o campo esportivo, no qual, prega a nossa Constituição, o dever do Estado seria o de incentivar sua prática, nunca estigmatizá-lo.

Dentre os familiarizados com o nobre esporte, sabe-se perfeitamente que de violento ele não tem absolutamente nada. Ao contrário, raras são as modalidades em que a competição entre seus atletas não se estabelece em disputas diretas, mas num desafio contra os próprios limites pessoais, da superação dos quais surgem os resultados.

Mas esta, infelizmente, é uma realidade conhecida por poucos. Para a sociedade, o que prevalece é mesmo o preconceito e, com ele, toda a falta de incentivo para o desenvolvimento da modalidade. Raras são as empresas que patrocinam e associam suas marcas ao Tiro, rara é a cobertura em grande mídia dos eventos esportivos desta modalidade, mas, em contrapartida, não raros são os custos que se impõem para um atleta se manter e se desenvolver em sua prática.

O Tiro é caro e burocrático. Os equipamentos esportivos não contam com privilégios tributários, o que eleva sobremaneira seus custos, circunstância que se repete em relação aos insumos necessários à prática da modalidade, seja em competições, seja em treinamentos. Além disso, comprar armas esportivas no Brasil não é tarefa fácil, pois que a legislação impõe ao atleta uma verdadeira via sacra pela burocracia, fruto de uma legislação cuja premissa básica parece ser a de que o esporte é um privilégio, não um direito.

Numa realidade assim, vermos atletas que, superando todas as dificuldades, se destacam no esporte e conseguem trazer ao país que não lhes apoia medalhas e, até mesmo, recordes não pode ser encarado como natural. Não se trata de meros atletas, como em tantas outras modalidades, mas de verdadeiros magos, exemplos reais de alquimistas, pois só assim para explicar a transformação do chumbo projetado por suas armas em ouro, prata e bronze.

Aos nossos alquimistas, mais do que felicitações, a justa reverência pelos heróis que são.

Fabricio Rebelo | Diretor Nacional da ONG Movimento Viva Brasil para Colecionadores, Atiradores e Caçadores – CAC

Fonte: www.mvb.org.br

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